quinta-feira, 14 de abril de 2011

Descarte!







Naquele dia bastaria alguma piedade somente...

De nada adiantaram os choros, as palavras programadas.

 Os ofereces vistos com desvantagens e insignificância.

De repente transformada em “minuto”, sem lembranças, sem marcas...

Só um implorar sem chances, condenada por atitudes de rejeições.

 Sem espera, sem planos, folha rabiscada transformada em cinzas.

Uma saída devagar, em passos de quem quer ficar, sem saber pra onde ir.

Estilhaços, cacos... Lá ficaram as peças do quebra cabeça a ser montado!

Sem volta nem ida, sendo o “agora”... Sujeita ao “simbólico ou diabólico”.

Podendo ser preenchida ou roubada.  Foram desprezados os tesouros,

Dispensados os valores, jogada fora a melhor parte possível...

Fátima oliveira                                                             abril 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Divagando...



A prática diária de santidade cala a voz teórica de um silêncio que necessita de algo a mais que ser divino, de quem não consegue ser perfeito sem pecar, de quem não ver graça em não se manter correndo atrás, pedindo, carecendo de motivos para não se considerar acabado, de quem compreendeu que a vida acontece é na renovação dos arrependimentos e não na frustração, na impotência, e que para amar é necessário de motivos, que arrepender-se é oposto de culpar-se, e que essa acontece é da prisão no medo por não tentar. Porque são nos desejos vividos que se pode atribuir que desejos e prazeres são similares e paradoxais, pois é desejando que se conhece o prazer da vida e que o prazer é desejado também pela falta de desejos;  que momentos são virtuosos ou depravados para aqueles que ainda não os considera presentes que se alimenta de futuro ou sobrevive de passado, porque momentos são apenas a vida que acontece em um segundo e no outro é acabado ou vivido em tempo errado. Mas, ser humano é necessário para que a santidade signifique com a importância que lhe é merecível.

fátima oliveira                                                                                                                                                  março   2011

sábado, 9 de abril de 2011

Impotência...


    
 Lua no céu e um mar a refleti-la
Simplicidade que se faz contemplar
Humano incapaz, "sem alma", sem paz...
Não explicaríamos em palavras ou melodias...
Poesias emudecidas, como professar doces ilusões?
As tornaram caladas indignas, sem vez...
Insensibilidade não, senso de realidades constantes
Não é que não doa, a dor vem se apedrejando.
E os sonhos de Eloá, a infância de Isabela...?
Fomes e descasos que massacram infâncias na África.
Realidades cegas sem mídias, sem ênfase, sem crítica.
Quantos morrem sem homenagens, no esquecimento.
Não é com menosprezo, é com angustia, impotência...
Engasgada pelo sentimento de inutilidade...
Um choro que já não sai, sentimentos sufocados.

fátima oliveira                                                                                                                     abril de 2011
  

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobras!


..., ...
Como uma volta, um recomeço, saída perfeita de uma provável frustração. Limite que permite saber quão incurável pode ser a permanência, ou a continuidade de um sonho desgasto...
Sem entender, a vida segue em uma melodia suave, em passos rigidamente harmoniosos, um som leve que a distancia e a falta de notícias faz seguir sem se dá conta que a musica mudou, assim no ritmo certo mudam se os planos e permanecem as idéias, os sonhos...
A falta seria a doce embriaguês, as lembranças, o vício que faz querer superá-la. Sonhos desgastos não permanecem, dão sentidos a recomeços. O amor ressurge com a mesma força que a fênix renasce... 
As lembranças, as promessas alimentam os motivos com a mesma justificativa que faz a música não se incomodar em não ser notada ou compreendida e sabe que por isso também não corre riscos de enjôos se fazendo eterna...

fatima oliveira                                                                                                                                                                 abril 2011

sábado, 2 de abril de 2011

Amor santo!



 Dos amores que me encantou nada jamais me fez esperar tão pouco ou nada, talvez a presença me fosse suficiente ou necessária, mas nunca me deu motivos para não as ter, ao contrário, aqui estás se faz e me realiza, um amor sutil, deliciosamente pueril e sabiamente constante, certezas não se fazem importantes, mas desnecessárias para que se mantenham as chamas, o encanto. Nenhum outro amor é tão sugestivo e completo. É uma esperança que não só faz promessa de felicidade, mas que já faz bem. Faz do agora: sol que brilha, noite que aconchega, água que lava e purifica que transforma olhar em palavras e, palavras em poesias, melodias, e, sonhos em realidades. É um sentido que apetece e sacia em dimensões similares. Se há imperfeição é de mim que parte, sae, manifesta-se, mas é que ainda não sou sabiamente grande para o não deslize, a não traição, porém uma vez que me conquistastes estarei sempre aos teus pés pedindo perdão, porque em nenhum outro encontrei desejo e prazer, antes foram apenas um: desejos sem prazeres ou o contrário, preciso desse amor, nele me viciei e já não sou nada sem você, te encontrei agora não te largo mais, porque já não sei viver sem te querer.   

FATIMA OLIVEIRA                                                                                                                                                       ABRIL 2011 

sexta-feira, 25 de março de 2011

Epifania!!



Ridículo saber que um dia escrevi cartas que nunca tive coragem de entregar, que já gostei mais não tive capacidade de revelar, que te dei "serenata de amor", crente que perceberias a frase que fala da vontade de te beijar...
 
Ridículo é sonhar acordada, imaginando cenas que me fazem princesa, musa, bela adormecida, obra de arte, e você a me contemplar,  delirantes ao sorrir sem disfarçar que sou a única a te fazer, parar, querer e amar...
 
Ridículo mais ainda, é deixar de falar, fingir não ver e passar, creditar ser notada sem nem mesmo olhar para confirmar, fazer coisas tolas que enlouquecem como soltar o cabelo, rebolar, pegar no nariz e ignorar....
 
Ridículo não é amar, mas querer disputar, escrever em versos a rimar, acreditando ser capaz de chamar a atenção e conquistar, fazer mistério para declarar, confessar-se amando ao abraçar, lamber os lábios para beijar e chorar ao terminar...

fatima oliveira                                                                                                                                                                                 março,  2011

sábado, 19 de março de 2011

Amor...



Uma certeza maior que a fé, não  permitiria entender o amor, cada vez mais a vida é justificada em abstrações: falar, escrever, pensar, querer, duvidar, sonhar... Ninguém jamais será capaz de afastar essa presença, de roubar essa certeza. A cada respiração um amor se revela. Sendo pessoa, com pessoas, sendo gente, humano, falho, imperfeito, sujeito, individuo, criatura. São esse que provam o quanto "morrer pode ser  ganho quando  si vive em cristo". Em uma felicidade que proporciona lágrimas, inquietudes, esperas, sobretudo, dúvidas. O fio que separa certezas e vazios é onde está o sentido de amar, viver e morrer. Presença é antes de mais nada pensamentos. Lembranças que rasgam proibições, que aproximam continentes. Rezas  emudecidas que propagam a concretude de "coisas" sem cheiros, cores, ou formas, mas que atribui reformas, colore, enfeita, desfaz, provoca... Um único "Ser" pode ser a chave de todos os mistérios do mundo de um outro alguém, mas ninguém é suficiente para ser só, único, separadamente singular, a ponto de preencher, satisfazer, contemplar... Em um ultimo minuto, em um ultimo respirar se me fosse dado o milagre do discurso eu certamente diria que nunca pesquise sobre o amor se não quiseres morreres  frustrado. 


fátima oliveira                                                                                                                                                                 março 2011