segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Em verbos



Decifrando uma noite
Dividindo um silêncio
vivendo as bobagens
Arrepiando um olhar
Desejando um beijo
Carecendo de um sorriso
Sufocando um vazio
Escondendo uma lágrima
Avaliando palavras
Buscando não dá sentidos
Chorando um poema
Emudecendo as músicas
Eternizando o aroma de um
Abraço.


fátima oliveira

domingo, 21 de agosto de 2011

Sigo®



Recuperei a fonte de uma lágrima perdida, recuperei o choro antes engasgado, me vinguei do silêncio que tanto me fez sanar loucuras vivaz e cogente, adoeci as certezas que tanto me faziam mentir, afoguei os encantos que se forjavam eternos. Hoje choro por um amor, cometo a loucura de me declarar, exalto minhas dúvidas e sonhos. Sem medo de perdas cheguei a ter medo de me perder, tenho andado sem cadeias e cometido alguns crimes, em lei talvez os números não me condenem, mas em sentidos sou julgada em um código penalizador. Estou amante, descobrindo o prazer de ser dois, sem pedir nada, além de ser separadamente dois, sem a prisão que o ser livre traz.

Fátima oliveira

sábado, 20 de agosto de 2011

De mãos dadas

 
Uma distância é insignificante, pois o amanhã possibilita e responde com encontros os caminhos separados pelas voltas necessárias que a vida exige.
No encontro há dois rumos se fazendo convite a descobrirem novas buscas. Trilhar o desconhecido, porque ainda não apetece o que temos. Há um desejo mudo querendo ser palavras, um desejo cego querendo enxergar.
E um novo poema é escrito nos passos lentos de uma espera que afoga rotinas, que se faz sonho, anseios. Até que venha o ponto almejado o agora vai se excitando na ânsia de viver.
E momentos vão se eternizando nas delícias que só o desconhecido traz. Assim se fazem os presentes que se concretizam no que é imprevisível e sedutor. 
fátima oliveira

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Suposições

"Normais" fazem de suas histórias paralelos entre o real e o que seria um sonho, outros vivem ilusões apenas, já os poetas não resistiram se acordasse e descobrissem que não teria poesia em viver.


Pessoas grandes resumem pessoas pelos fatos, pessoas pequenas não idealizam pessoas, amam perdoam decepcionam-se e vivem, ou sonham!

Verdades nada mais são do que angustias transferida. A vida é o agora, sem antes nem depois, a construção é feita de um concreto ainda delicadamente brando.


Sonhos não são nada mais que a certeza de uma dúvida eternamente precisa, porém a vida é exigente e sonhar requer desapego, requer verdades, porque acreditar no sonho também é preciso. 

fátima oliveira

sábado, 13 de agosto de 2011

Papai!


Herói de mãos calejadas, físico suado. Olhar que necessita de poesia pra nãos ser confundido com autoritarismo.

Charme “antigo” que o faz superior a qual quer outro de seu gênero. Homem, mas antes guerreiro e fortaleza.

Personagem de um cenário santo, representante de um Deus homem, mas amantes da poesia que é feminina.

Existência imperiosa que se firma nas muitas vezes que tem de se curvar em defesa do que lhe move ao não desistir, suas crias.

Aparência brava, temível, mas antes, plantador de uma segurança inigualável de quem sabe o que é proteção.

Representante de caráter, formador de índoles, aquele que mata não só a fome física, mas que sabe sobre a fome d’alma.

Ditador de um amor pouco notado, mas sempre valioso já que o resultado é sempre a moral e o respeito.

Capaz de ordenar com delicadeza e sabedor do quanto isso o faz amado por essa que ele educou para o amor. 
 fátima oliveira.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Segredo!


Que verdade me traz?
Não adianta!
Não me provoque.
Amo-te sei que sim,
Mas é sem Acreditastes;
Sem seus vômitos de certezas.
Não me convencerias do que és.
Não tenho razões para duvidar,
Só não tente me convencer.
Complicado, talvez, mas é a regra,
Seu limite se esbarra no meu.
Sou sua busca, talvez.
Aviso, não me encontre,
Não quero assustá-lo
Mas esse seria o fim.
Também não preciso tê-lo.
Deixe-me acreditar na ilusão de possuí-lo.
Venha, mas não me entregue você.
Deixe que eu o busque, sem pressa, com ânsia.
Mantenha me presa, mas não me mostre às grades,
Isso também seria motivo para um fim.

fátima oliveira 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Por detrás de um olhar!


Da minha janela consigo ver horizontalmente o paraíso, da mesma janela sem vidro vejo refletir um futuro. Dessa janela construo paisagens e estações... Estações que por vezes trazem heróis e por outras apenas esperanças voam.
Da minha janela sobpõem estradas e direções inversas, escolhas. Da mesma janela trapaceio olhares, visões e versões. Minha janela não tem porta, ela é a única saída, porém se faz entrada, nela recebo o mundo que não bate, invade, são visitas que nem sempre são bem vindas, às vezes amassam minhas rosas e por causa delas também já perdi alguns cães de estimação, mas a ela não fecho...
Na minha janela plantei vasos que significam vida. Dela vejo o sol despontando e se indo. Vejo arco-íris enquanto rego flores e apanho folhas que caíram na primavera, dela vi surgir noites quietas e tempestivas, observei dias escuros sem lua e notei lua em dias claros. Aqui, da minha janela avaliei nós, armei minha pousada. Nela enfeito a vida, estendo o lençol que aquece o frio e aprecio a brisa em dias quentes. É infinitamente escancarada a minha janela, de vez em quando não dou conta das novidades apresentadas, por isso, dela jogo palavras ao vento e recebo anjos que me devolvem em formas de poesias.   
 fátima oliveira                                                                                                                                                                    agosto 2011