quinta-feira, 12 de maio de 2011

"E o que é cativar"?




Influências que não sugerem mudanças, mas frustram. Descobrir que ser bobo é vantagem da forma mais otária que um ser humano pode ser: com medo, chorando, sem competência pra ser grande. Ah! Se eu tivesse a aptidão de ser tão pequena quanto à personagem de Antoine de Saint-Exupéry emO pequeno príncipe” ou de compreender quando leio Clarice Lispector ressaltar sobre as vantagens de ser bobo. Foi nesse diálogo que descobri a grandeza dos que sabem valorizar uma rosa e dos que sabem que não há bobagem que não supere esperteza, pois “só os bobos têm originalidade”... E me veio à loucura de imaginar que Clarice e Antoine, vestidos de seus personagens discutiam o impasse que desdiz a realidade infeliz que busca o destaque e o pódio e no auge de suas discussões eis que diz a dama: “ser bobo é uma criatividade, por isso é tão difícil se passar por bobo...” E como num ato de réplica o criador do príncipe da grandiosidade diz com convicção de mestre da cativante idéia de se aprender sobre o que é cativar: “e o que é cativar? Quer saber o principezinho”. Ah como eu queria ser pequena pra não entender o porquê de às vezes amar tanto o pó do sol, há! Se eu fosse tão boba que pudesse provocar o excesso de amor que só os bobos provocam. Mais não, tenho mania de querer ser grande, tenho a besteira de querer ser sábia. Quantos bobos não já devem ter demonstrado sem nem mesmo se importar o quanto são lindas a maravilha de suas “criações” devido a minha incapacidade pra cativar.  Ah! Mais eu poderia culpar o planeta e dizer que ele é grande demais, que já nem dá tempo de olhar o sol quando se está triste, mas não seria justificativa porque os bobos sabem que pensar é fazer e, que duas horas são pouco pra que a tristeza passe, mas muito tempo pra que o sol suma no horizonte intocável. Devo aprender que a minha rosa só tem o valor que a der, e que, o que eu sei ninguém mais desconfiará que eu saiba, porque nem eu preciso saber. Só sei que sobrevivo de um excessivo amor, mas que ainda não me faz excessivamente provocá-lo.  

fatima oliveira