sábado, 5 de março de 2011

Alma mendiga!



Os mendigos saem do mundo do conseguirei e passam para o mundo do silencioso provável, se entregam às carências da alma para depois carecer das penas, mendigam antes por piedade e só depois por pão, sombras e vestes. A maior falta, a grandiosa pobreza da humanidade  nunca foi  só comida. Não é extraordinário falar de caridade, nem muito menos de amor, porém a miséria ainda não deu espaço para tais sentimentos, somos eternos mendigos de salvação, a todo tempo estendemos a nossa mão e nem assim! Suplicamos, choramos e nada! E o tempo cada vez mais nos faz querer, carecer, suplicar. Ao tempo já não resta mais tempo para amar, são tantas possibilidades visivelmente facéis, como parar na busca pelo que não se ver, pelo que não é técnico? Já é até vergonhoso admiti-se amando, afinal ninguém mais é bobo o suficiente para "isso"...  há mais o que fazer! E por enquanto resultamos nisso aqui que somos, eternos apaixonáveis, mas disfarçados empresários e contadores do que é real, porém mendigos de amores. Só damos aquilo que temos ou só temos aquilo que damos?


                    fátima oliveira                                                                                                                                                                     março 2011

quinta-feira, 3 de março de 2011

Lambujem



O beijo de despedida rápida e o sorriso sucessor dos nossos passos...   

Os olhares são substituidos por  caricias mais aconchegantes e até lagrimejada quando ultimas, porém os passos e os olhares foram de um até logo, sem  retorno.  

O tão atormentante  beijo foi amargamente inesquecivel e o abraço ainda foi visivelmente notado, porém não compreendido e só por isso apenas feliz...
  
Abraços doídos são os do adeus!
  
O ind´agora me traz dúvidas esperançosas de quem busca entender porque momentos assim cegam-nos dos detalhes que fazem raridades.
 
É perceptivel  a impossibilidade de melhoria ou até de continuidade de algo que contempla, completa, preenche.
  
Por falta do hábito de ser feliz momentos radiantes se perdem por entre os passos de quem desespera a felicidade  ansiosamente...

         fátima oliveira                                                                                                                                                                                       março 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

SÓ E ...


...  SEM INSPIRAÇÕES

Tenho solidão que meu coração não revela, mas que em meu olhar se manifesta, porém meu espelho não me reflete clarezas sobre mim, disfarço as dores e elas continuam forçosamente me enganando sobre uma felicidade que mais parece um cristal em estilhaços. Não saberei lidar com algo que trapaceia minhas certezas, engana minhas dúvidas e endoidece meus pensamentos aponto de me deixar sem amar e mesmo assim suplicar por ser amada incondicionalmente, amores que não me façam fugir, desfarçar, trapacear. A minha solidão é como uma inimiga que se faz necessária, preciso de algo que não me seja bastante pra ser feliz. A vida sobrevive das mortes diárias, renasce das destruições constantes, reações me trazem cada vez mais dúvidas, porém amores. Sou como as noites só existo por que algo esconde seu brilho para que eu apareça, e assim sou sempre ofuscada pelas voltas, despertares, no entanto em meus momentos construo sonhos, propocionando a quietude que o dia não traz, e assim no ponto de vista de quem adormeço o pesadelo também é uma opção.

fátima oliveira                                                                                                                                                         março 2011                                                                                                                                                         

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tudo passará, eu sei, que não passe jamais os instantes que me percebi em você quando te senti em mim.


"NÓS"

E naquele momento eu queria apenas que meu consciente me traisse e que nossas mãos ganhassem vida própria, que uma procurasse a outra para que apenas nossos dedos mindinhos se encontrassem, talvez assim, no ato de rebeldia elas também não resistissem e um aperto de mão fosse inevitável, consigo imaginar nossos dedos entrelaçados e o suor de nossas mão denunciando a inquietude disfarçada em nossos olhares. Agora apenas respiro como se estivesse "vivendo", imaginando como seria sua respiração, sei que feicharia os olhos por segundos e em seguida ao me olhar de forma angustiada me diria lamentar não poder ir além disso. Foi por saber  que apenas respiramos a presença do outro, aproveitando para se enganar que apenas um toque bastaria, ou quem sabe um olhar.

FÁTIMA  OLIVEIRA                                                                                                                                                DEZEMBRO DE 2008

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


soletude.

Em mais um dia  quente, com o ar  preso, sussurros e gemidos chamam o nome de quem o sufoca, como quem pedisse socorro e clamace por esquecimentos. Contida em suspiros sinto arder as chamas da esperança, como as cinzas que ainda restam. Os pensamentos me invadem como tempestade que espalha pó ao vento fazendo com que eu me agarre nos restos, pra ver se ainda me encontro. Com calafrios surge o sono e a quietude trazida pela certeza de mais uma noite sonhada e menos vivida.


fátima oliveira                                                                                             fevereiro 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Decifra.



No mundo do absurdo tudo é perigoso sentir. 
O perigo sempre à espreita, carrasco, vigilante.
Um mundo de contrários, onde tudo que sentir terá de ser dominado ou domado.
Mesmo em uma terra de absurdos, sonhar sempre faz parte da realidade.
Afinal, real mesmo é aquilo que precisamos, e já descobri que sem sentimentos não há vida.
Ela é o que sinto, só ainda não descobri se sentiria sem ti, pois, foi depois que perdi os sentidos.
O absurdo e o contraditório me dominam e a realidade me comanda, e assim vivem os idiotas que se perdem nos sonhos e realizam as doces ilusões...
No doce  mundo dos sonhos toda realidade é perecível, 
cada anseio de momento parece uma eternidade, intocável é o sonho, modesto dentro de uma realidade possível. 
Cada medo é um assombro, 
medos contidos pelo simples desejo de preservar, 
preservação de uma doce ilusão, ilusões podem padecer, contrastada com a realidade.
Foi no percalço da minha esterilidade de sentidos que encontrei sabedoria e razões que me fizeram crer quão iluzionista era minha realidade, assim, me perdi na busca por separá-los... Já nem sei se existo ou se é sonho.


Jorge Muniz e                                                                                                                     fevereiro
Fátima Oliveira                                                                                                                    2011

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

(...) E ainda há um momento que percebemos e nos percebemos na dança natural dos compromissos, é quando despercebemos a magia do aquieta-se, do parar a dança ou da troca de ritmo para menos barulhento ou mais, por que não? Somos fisgados por uma nova sugestão que pode nos proporcionar idéias ou esquecimentos, pode ser então chamado de intervalo ou retorno, dependendo pode ser também oportunidades ou quem sabe ainda ilusórios, porém legítimos momentos assim são por certos imprevisíveis.   

fátima oliveira