terça-feira, 7 de junho de 2011

"Presentes"!


O ontem é quem recebe o presente... Foi aberto o pacote. E eis a surpresa! Chegou com jeito de manhã quieta; com sol que ilumina, aquecendo o frio. Sugerindo bebida quente, companhia avisada. Sem se conhecerem, os olhos apenas se insinuam no ganho de vida própria e instintiva, assim se namoram. Os sentidos se aguçam na intensidade que a curiosidade provoca, sem nada dizerem em verbos, somente o corpo fala e adora com devoção o presente que mal chegara e já é líder de um dia inteiro, que será capaz de se tornar eterno. Já está entregue, a vida agora nada mais é que a certeza de uma realidade nova de um amor novo sem certezas e sem o que duvidar apenas o encanto é imperioso... Até que cheguem à noite, os minutos exigem cuidadosa ação, proteção e dança de uma rotina que não pára, apesar da novidade que a faz mais encantadora. E nessa de não velar o ontem, o hoje é devidamente eternizado em poesia e emudecido pela ação poética que a vida propõe, por que somos poetas das coisas simples de uma realidade que deve ser docemente feita na ilusão que se faz o tempo na chegada constante do presente.

fátima oliveira                                                                                                                                           maio2011
       

sexta-feira, 3 de junho de 2011

paixão!



O nome visto escrito ainda não é despercebido;
 A música não dançada por não saberes, também lembra você
Passos ainda em direção ao sonho de um esquecimento.
Mas, sinto falta...
Falta de mim abortando a dor do impossível que até ali consumia;
Falta da leveza que o mundo me fez notar quando o sonho já era real;
Falta daquela ilusão que só aquele momento me proporcionou.
Mas, não quero mais...
Não quero mais essa droga de sensações efêmeras;
Não quero mais sugestões de uma certeza que não faz, não fica;
Não quero mais acreditar que é impossível esquecer.
Também não queria...
Não queria ansiar por retornos que devolvam a certeza de valer à pena;
Não queria me condicionar na idéia de ilusão morta;
Queria não acreditar que mais nada me fará pedir tão pouco.
Ainda sei que não daria pra viver sem isso:
Certeza pensada, dúvida vivida, grito emudecido, verso propagado.
       

 fátima oliveira                                                                                                                                      junho2011                                                                                                   

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Reciclagem!

Verdade...
Você a pratica com você?
Você lembra-se de todas as mentiras que disse a alguém!
Elas lhe pesam, mas você “precisa” sustentá-las.
E as vezes que mentistes a você, lembras?
Quantas vezes você disse a verdade pra você hoje?
Você ainda fala a verdade a você?
Aos outros você decide quando verá, falará, encarará...
Será que não estas dormindo com quem mais você engana?
E você não se preocupa quando for descoberta a verdade? Cuidado!
Não seria melhor encará você agora e confessar tudo?
Que você nem é tão bom (a) assim!
Que você nem sente vontade de sorrir agora!
Que você também nem ama tanto quanto diz! Enfim...
Os minutos passam e o peso só aumenta, porque se aos outros pesam...
 Se você mente a quem mais deveria amar o que pode esperar dos outros?
Pratique mais com você a verdade!
O mundo agradecerá saber que você é gente:
Gente que chora no momento certo e por motivos louváveis...
(Porque tem quem minta chorar).
Gente que sente raiva, (é por isso que há perdão)!
Não se faça ser casca, embalagem, sepulcro que engana seu interior!

fátima oliveira.                                                                                                                                                        junho2011

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Faminta por rotina!


Poeticamente calada pela rotina de mais uma noite em que a rua fica vazia, sem casais, sem bares, sem motos, sem vidas. Vidas que misteriosamente adormecem em um sono cansado que não deixam perceber de que sonhos se alimentam se será possível um amanhã superar tal doçura. Anjos que brigam por velar o mais enigmático de todos os espetáculos humanos, o “entregar-se" à morte na certeza de uma ressurreição na manhã seguinte. Anjos que não dormem, mas que invadem noites de pessoas normais para alimentarem as tão doces ilusões de um sonho com o impossível, ou, de um pesadelo necessário para os que perderam a capacidade de sonhar. O sono que pega um poeta em meio à poesia inacabada e o faz dormir só para sonhar com a moldura santa de alguém que transforma noite nostálgica em poesia real, que supera as palavras e que se transforma na prática de um beijo sem sustos, onde os sentimentos são reveladores e eufóricos. A noite quieta agora se faz agitada, os bares se abriram com shows ao vivo, de olhos fechados é possível ver a multidão de sentidos a andarem pela noite que já não está escura, nem quieta. Algo foi despertado enquanto o poeta sonhava e, todos que dormiam agora também despertam em meio a uma apaixonante busca de vida, mesmo em noites onde nada mais acontece, exceto a poesia.

 Fátima oliveira.                                                                                                                                                    maio 2011 
                                                          

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Desespero!

 
Os dias já não valiam nada mesmo!
Ninguém mais sabia pra onde iam de onde vinham!
Raridade  era sonhar, poetizar...
Houve até quem foi ovacionado por amar, absurdo!
Que se acabe o mundo, porque o céu já não existe!
E esse tal de mundo seria algo a mais que ilusão?
E o que seria uma explosão a mais diante de tantas?
Pobreza era moda... Holofotes: casca, vulgarizações de fé!
Timidez era atraso, alienação.
Dúvidas era o prato principal de todas as mesas!
Coragem era matar, cautela era covardia e morrer era recuar, fraquejar...
Jovens censuravam-se como os velhos e velhos atuavam como jovens.
Muito foi dito, cantado, escrito, mais nada foi compreendido, vivido...
Vivíamos esperando alguém dizer que não precisávamos ter pressa.
O mundo acabaria de qual jeito, porque ele nunca existira!
Quem acordará para realidade de que o mundo é ilusão humana?
Buscas, corridas diárias sem o sentido de que era necessário notar!
Não nos fará falta o mundo se for para o céu enfim aparecer!
Vá-se embora ó impostor, pois é de verdades que o céu nos fará!
Que verdades? Sabe lá! Mas, se essa mentira morre já será meio caminho andado!

Fátima oliveira

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Amor, seu nome é presente!



No escuro do tempo e no surgimento de um sonho louco, sem nexo, me aparece um anjo que me rouba o sono, me fazendo despertar para uma realidade paradoxal que me deixa sem o prazer de usufruir da magnitude que o momento poderia oferecer, já nem dá mais pra saber se é um sonho ou um pesadelo, pois os anjos não reconhecem as palavras só compreendem os olhares e no escuro os meus já não enxergam tal pureza. Não ando em vão, sigo um coração que da forma mais racional possível ama sem medo, porém cautelosamente viciada, (ágape e Eros). Desperta e rezando pra que a luz não acenda: não dá pra resistir sem anjo ou ilusão. No insinuar oculto de um instante enxergo a certeza de que vale a pena compreender as buscas: vida, pessoas... Ah, se eu não vivesse em um “admirável mundo louco”, como diz Ruth rocha. Acho que não daria pra ser tão iludidamente feliz, recupero sonhos com a mesma fraqueza que os torno reais em um simples atos de seduzir o impossível. Reconquisto verdades da forma mais incrível que alguém pode atuar na arte da reciclagem e assim com as abordagens surpreendentes que a ilusão me traz vou me reutilizando na incapacidade de saber viver. 

fatima oliveira                                                                                                              maio de 2011
   

quinta-feira, 12 de maio de 2011

"E o que é cativar"?




Influências que não sugerem mudanças, mas frustram. Descobrir que ser bobo é vantagem da forma mais otária que um ser humano pode ser: com medo, chorando, sem competência pra ser grande. Ah! Se eu tivesse a aptidão de ser tão pequena quanto à personagem de Antoine de Saint-Exupéry em “O pequeno príncipe” ou de compreender quando leio Clarice Lispector ressaltar sobre as vantagens de ser bobo. Foi nesse diálogo que descobri a grandeza dos que sabem valorizar uma rosa e dos que sabem que não há bobagem que não supere esperteza, pois “só os bobos têm originalidade”... E me veio à loucura de imaginar que Clarice e Antoine, vestidos de seus personagens discutiam o impasse que desdiz a realidade infeliz que busca o destaque e o pódio e no auge de suas discussões eis que diz a dama: “ser bobo é uma criatividade, por isso é tão difícil se passar por bobo...” E como num ato de réplica o criador do príncipe da grandiosidade diz com convicção de mestre da cativante idéia de se aprender sobre o que é cativar: “e o que é cativar? Quer saber o principezinho”. Ah como eu queria ser pequena pra não entender o porquê de às vezes amar tanto o pó do sol, há! Se eu fosse tão boba que pudesse provocar o excesso de amor que só os bobos provocam. Mais não, tenho mania de querer ser grande, tenho a besteira de querer ser sábia. Quantos bobos não já devem ter demonstrado sem nem mesmo se importar o quanto são lindas a maravilha de suas “criações” devido a minha incapacidade pra cativar.  Ah! Mais eu poderia culpar o planeta e dizer que ele é grande demais, que já nem dá tempo de olhar o sol quando se está triste, mas não seria justificativa porque os bobos sabem que pensar é fazer e, que duas horas são pouco pra que a tristeza passe, mas muito tempo pra que o sol suma no horizonte intocável. Devo aprender que a minha rosa só tem o valor que a der, e que, o que eu sei ninguém mais desconfiará que eu saiba, porque nem eu preciso saber. Só sei que sobrevivo de um excessivo amor, mas que ainda não me faz excessivamente provocá-lo.  

fatima oliveira