sábado, 3 de dezembro de 2011

VITRINES E CASTELOS



A boneca de porcelana
Saiu da vitrine
Sacudiu a poeira
Segredou-me silêncios

A princesa fugiu dos contos
Dispensa os sapatos de cristais
Quer salto quinze ou uma plataforma Azaléia...

Engole sapos
Para não ter que acreditar
Que príncipes ainda existem

Reinventa caminho
Monta castelo...
de areia.

marcelo silva

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Receita!


O líder sinalizou o desejo de se tornar súdito e os súditos aproveitaram à hora pra se tornarem reis dos efêmeros. A troca de posições propicia visões e versões notáveis e quebram o modelito da monotonia anediada. A festa foi dos que nunca tiveram o poder de terem poderes, já à felicidade fez morada no coração de quem se julgou não poder mais nada, porque as conquistas foram notadas como milagres inesperados. O prazer de se servir deixa a vontade de comer mais aguçada o ato de cozinhar o feijão deixa-o com o gosto de quem cozinha, bem como, a conquista deseja ser resultado de um toque que provoque os desejos mais particulares de quem os deliciam... Em versões concretas a vida deseja ser verdades e vontades, mas nada. É curioso perceber que não se aprende a dizer verdades sem deixar a duvida falar e que não se ama o que se descobre, se expande... O rei aprendeu a ser grande, os súditos se submeteram ao reinado, assumiram então suas reais posições e viveram condizentes aos seus dramas e realizações... Ambos conquistaram Suas insignificâncias ao perderem-se nas razoes dos fanatismos que não agregam os reais valores. É a vida que nada propõe senão a certeza de que cada um terá aquilo que lhes caibam, ainda que não lhes proporcionem as utilidades, pois o amor particular se desvenda é através da inutilidade. Sem motivos e mesmo assim amantes, por que seremos sempre sujeitos das contradições e não de absolutismos e, ainda que sejam de lagrimas as escolhas... O que faz chorar não é indiferente ao amor, por que, só por amor se chora.
fátima oliveira  

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sem currículos!

 
Estiveram lá sós os dois, se olhavam de todos os modos... Encaravam-se os olhares, buscando ver onde se encontraram, em que momento aqueles olhos se alcançaram ou se perderam de tudo que já sabiam um sobre o outro. Quem disse o que disse certamente não viu o que ela viu. Quem a julgou nunca teve as mesmas chances como aquele que apenas a olhou de forma não curiosa, apenas carinhosa. Sem julgo, sem condenação. Era um avaliar de anseio apenas. Ambos nasceram de novo no instante em que um olhar ressuscitou uma parte abortada por tantos olhares ditadores de eternidades sem jeito. Todas as carências celebraram a novidade de ser significado, importância. Foi resgatado um valor seqüestrado nos cativeiros dos esquecimentos, sem precisar de passado, o presente é a escultura que os dois esculpiram no instante em que se olharam apenas como quem nunca se viram. Não tem segredo, mas também não há transparecia, senão, a de que as  compreensões são indispensáveis para a vida que surge de insignificância como um mero olhar que nem descrito consegue ser.  

fátima oliveira     

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Tempo artesão!




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Portas sem chaves

Olhar na fechadura
Corpos exibidos
Desejos expressos
Fugas...
Noites claras quentes como sol!
Eternidades...
Espalhadas e ardentes lamurias
Sufoco cúmplice...
Olhar morto
Grito mudo
Sussurros berreiros
Inexpressos...
Seqüestros, roubos, ameaças, latrocínios...  

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Dois desejos perdidos na tensão da vida.
Duas almas necessitando de rezas
Corpos condenados ao pecado, ao inferno...
Em uma curva o abismo vence, as pedras se quebram, o sangue jorra e as almas se despedem de mãos dadas, juram eternidades.  
Ficou a vida, passou. De morte os espíritos se casam, se amam sem alianças de ouro...
O mundo que já foi grande para os sonhos, agora não serve mais para a vida
Pousarão seus momentos numa flor de rósea e ainda assim o conforto lhes incomodará, lhes bastará à estrada e a flor pra pousar...  

fátima oliveira 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Silêncio



Ouvi outro dia um grito absurdamente silencioso que me fez tapar os ouvidos e calar-me. Fiquei a partir dele não surda, mas muda, sem respostas que chegasse ao seu alcance. Doeu como dói nascer, e nasci a partir do instante em que me calaram. Quando não soube dizer o porquê da dor, do medo, do não, que diante do sim se fez juiz do saber agir, e não promessas. Desde então sou voz gritante que diz em silencio que amar é afinar, desmanchar as artes, é inventar, dançar, mesmo que se errem os passos. O silencio me fez sombra de certezas que nem sempre precisam de profecias ditas. Aprendi a dizer não, sim, sem usar das magoas ou das alegrias surpreendentes que ambos possam trazer, em disfarce dou eu a versão para ambos através daquele que um dia achou ter me humilhado quando me deixou sem fala. Depois disso não me tornei sábia, mas descobri que há um meio mais fácil para ser verdade. 

fátima  oliveira     

domingo, 23 de outubro de 2011

Triagem


O espírito às vezes ainda lamenta ao outro que o sacie, as lacunas continuam sempre que um vento forte trouxer o que não é sólido, é preferível que a areia escorra pelas mãos... As tardes de chuvas ainda nos farão afogarmo-nos em um copo de guaraná, e mesmo assim, haverá securas, desertos! Calaremos nossas dores em poesias, canto fúnebre, no silencioso brado por socorro, em um olhar que diz apenas fique ou venha?  Cabe ao resistir declarar ou chorar, ha uma duvida que pode ser dividida através de um expor que nem sempre alivia, mas que liberta a prisão de ser só ou que prende na necessidade de partilha. São os vazios querendo ser parte de um ser que se descobre imperfeito pelo ato de não se permitir assim... Dando vez para o que falta, buscando ser completa. A sede continuará na medida em que a água falte, mas a estrada propõe a chegada a uma fonte, ainda assim a necessidade de uma mão será comparada a água que no fim não mais nos saciará, pois as sedes do agora precisam ser afogadas.           

fátima oliveira

domingo, 16 de outubro de 2011

Provações!



E na pluma leve descansa a dor e é na armadura densa que reage o amor. Que contradições são essas que me fazem querer ser pra sempre porcelana?  Só quero o lugar melhor da sala, que não me deixem empoeirar o rosto, que me sejam oferecidos olhares e que mesmo quando cabisbaixo, possam me ver esses olhos, (melhor com a alma) O valor está não apenas no bronze que me permitiria ser bela a ponto de um apreço, mas no quanto esse significaria pra alma que necessita de vida. Desejo ainda, ser protagonista de minha própria historia, pois não darei conta de ser multidão eufórica que nunca para, que anda sem saber em qual direção está indo. Quero andar sem salto, se for o caso, mas só quero ser feliz da forma mais digna que Deus me permitir. Ainda me encontrarei numa curva perigosa e descobrirei a graça que há nos recomeços ou no simples ato de saber ficar.  
  fátima oliveira