terça-feira, 3 de maio de 2011

Inópias!



Hoje a noite está fria:


Sugere pele quente;


Fogo abrasador que um beijo traz.


Frio interno congela a alma.


Hoje é o corpo que arrepia uma friagem de carência.


Nem dar pra saber se é a noite:


Serão sonhos, saudades, desejos?


Canções que excitam, penetram, mas não saciam!


Agora a melodia sugestiona libidinagem;


Deprava a poesia santa;


Faz de um anjo, Deus:


Deus do pecado, do prazer...


Faz do pecado motivos de santidade...


Noite que prostitui idéias novas de querer;


Que simplesmente desejaria ser eterna.


                                                                                    fatima oliveira                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tiros de conclusões!




(...) E existem momentos que nem mesmo as borboletas servem de inspirações... 
A luz não reflete nada mais que insultos.
Os poetas deveriam morrer antes de expressarem a alma negra da ilusão:
Sempre há um dia que seremos cobrados pela fratura da pobre esperança;
Um olhar ou uma palavra que condenam tem o poder de destruir futuros... 
A respiração incontrolável anuncia o desespero por ressuscitar o sonho destruído.
“O simbolismo” é tão raro e ainda há quem o menospreze!
“O diabólico” não tem expressão própria, mas disfarces!
O amor é a verdade que conserta e a maldade também AMA destruir.
Tiro conclusões, mas, apenas tiros!
Certas experiências seqüestram ingenuidades e a esperança tá doente, foi gravemente fraturada, já não voa!
Mendigar por amor é esquecer-se do valor que esse deve ter!
Uma fada agora já sugere sarcasmos!
O ser humano se reduz em ser grande, além do que cabem os sonhos, as doces ilusões...
Sou fada, primeira dama do amor, amante da ilusão, melhor amiga da dúvida, conselheira dos sonhos, filha de papai noel.
Síndica de um prédio onde não pago por moradias, mas por despedidas, desapropriação.
Divido as dispersas com as borboletas, coelho da páscoa, duendes e príncipes...
Nada mais me preocupa, senão, a morte da esperança, é em me que dói sua dor!

fátima oliveira                                                                                                                                                        maio 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Além da imperfeição!







Nas provas os resultados de reprovação já se dão pela necessidade de se avaliar. As analises pressionam, humilham. Porém momentos exigem provas e nessa naturalidade qual quer atitude serve como comprovação. Por vezes somos resumidos “em minutos”, em nada serviram os processos, passamos a ser imaginados pela miséria que nos proporciona o presente, nunca, em nenhum segundo dá pra ser perfeita a bondade, a perfeição se faz nos passos tortos que desenha a estrada por onde é mantido o caminho, a vereda é refeita a cada passo dado é assim que comprovam sua existência, não sendo necessário que levemos nas mãos sempre algo que cortem os galhos ou arranque do solo o mato, somos presentes adoráveis que se construíram na imperfeição que o passado não pode recusar. O passado deveria ser reverenciado, só ele conhece o que foi rabiscado, rasurado... O hoje recebe já passado a limpo, e nada seria sem os rascunhos que se fez notar e corrigir as imperfeições. Generosidade tem a ver com os cuidados que damos a quem nos possibilita enxergar a imperfeição, essas só são apontadas por aqueles que antes viram que poderá ser melhor se for feita a correção no tempo certo, e nem necessitam de provas, o olhar para o que há de melhor já diz sem que precisemos agora ser amplamente bom. Ainda dá pra recuperar o que pela falha não é notado, por que alguém conseguiu ver além do que tá manchado, porque os santos não se prendem as margens, ao agora...  O hoje é o horizonte que proporcionou a chegada e que se fez maior do que as pedras, mas horizontes não terminam, basta ser erguida a cabeça e um outro nos motiva, nos sugere, mas nem por isso daremos vez aos esquecimentos.


fátima oliveira                                                                                                                                           abril2011


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Imerso!



 Alucina-me as lembranças de uma noite chuvosa aquecida pela companhia que induzia o frio, a ausência da dor que só a visão do impossível traz. No dia que cada minuto foi devidamente escrito só para amar. Os chuviscos embalaram as decisões da ida ao lugar certo no momento certo, tudo a favor de uma perfeição até então descrente, desiludida, porém sonhada. O tempo do temporal não durou o suficiente para que a ocasião “desse conta”, ainda havia muito a fazer! Cada recorte do tempo uma certeza de “já tá bom”, pois a credibilidade superava as expectativas. O cheiro de terra molhada incrementou a naturalidade da noite, nem precisava ser festa, dentro já era feriado universal, em êxtase nada foi dito, viver era ansiosamente preciso, esperado... Apenas fatos, concretudes que mais pareciam os sonhos já tantas noites ensaiados pelos desejos e pensamentos. E no fechar dos olhos o tempo voou, mas não levou o gosto que teve o beijo, nem o calor que trouxe as carícias... Deixou a certeza do querer, do que faz valer à pena querer, deixou à ilusão acesa, a espera alimentada no limite de saber sonhar.

fátima oliveira                                                                                                                                          abril 2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Descarte!







Naquele dia bastaria alguma piedade somente...

De nada adiantaram os choros, as palavras programadas.

 Os ofereces vistos com desvantagens e insignificância.

De repente transformada em “minuto”, sem lembranças, sem marcas...

Só um implorar sem chances, condenada por atitudes de rejeições.

 Sem espera, sem planos, folha rabiscada transformada em cinzas.

Uma saída devagar, em passos de quem quer ficar, sem saber pra onde ir.

Estilhaços, cacos... Lá ficaram as peças do quebra cabeça a ser montado!

Sem volta nem ida, sendo o “agora”... Sujeita ao “simbólico ou diabólico”.

Podendo ser preenchida ou roubada.  Foram desprezados os tesouros,

Dispensados os valores, jogada fora a melhor parte possível...

Fátima oliveira                                                             abril 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Divagando...



A prática diária de santidade cala a voz teórica de um silêncio que necessita de algo a mais que ser divino, de quem não consegue ser perfeito sem pecar, de quem não ver graça em não se manter correndo atrás, pedindo, carecendo de motivos para não se considerar acabado, de quem compreendeu que a vida acontece é na renovação dos arrependimentos e não na frustração, na impotência, e que para amar é necessário de motivos, que arrepender-se é oposto de culpar-se, e que essa acontece é da prisão no medo por não tentar. Porque são nos desejos vividos que se pode atribuir que desejos e prazeres são similares e paradoxais, pois é desejando que se conhece o prazer da vida e que o prazer é desejado também pela falta de desejos;  que momentos são virtuosos ou depravados para aqueles que ainda não os considera presentes que se alimenta de futuro ou sobrevive de passado, porque momentos são apenas a vida que acontece em um segundo e no outro é acabado ou vivido em tempo errado. Mas, ser humano é necessário para que a santidade signifique com a importância que lhe é merecível.

fátima oliveira                                                                                                                                                  março   2011

sábado, 9 de abril de 2011

Impotência...


    
 Lua no céu e um mar a refleti-la
Simplicidade que se faz contemplar
Humano incapaz, "sem alma", sem paz...
Não explicaríamos em palavras ou melodias...
Poesias emudecidas, como professar doces ilusões?
As tornaram caladas indignas, sem vez...
Insensibilidade não, senso de realidades constantes
Não é que não doa, a dor vem se apedrejando.
E os sonhos de Eloá, a infância de Isabela...?
Fomes e descasos que massacram infâncias na África.
Realidades cegas sem mídias, sem ênfase, sem crítica.
Quantos morrem sem homenagens, no esquecimento.
Não é com menosprezo, é com angustia, impotência...
Engasgada pelo sentimento de inutilidade...
Um choro que já não sai, sentimentos sufocados.

fátima oliveira                                                                                                                     abril de 2011